Ser mãe!
No post anterior falei das dúvidas que vão surgindo! Pois esta é uma delas!´
- Como serei no papel de mãe?
- Quais serão as minha reações perante as atitudes da minha filha?
- Serei capaz de assumir este desafio infinito?
- Irei falhar?
- Como vou reagir aos medos, às birras, ao choro, às vontades, às teimosias...?
- Terei sempre resposta para as suas dúvidas?
No decorrer da jornada para a maternidade dou por mim a pensar em tantas coisas! Inclusive, a pensar na filha que tenho sido, na forma como tantas vezes olhei para a minha mãe, não a quis ouvir ou simplesmente não tinha paciência para ela! Nas vezes que lhe pedi colinho quando me doía a barriga ou quando ela me acordava a fazer de cóceguinhas! Mas principalmente dá para pensar no sorriso que ela faz mesmo quando estou com a birra ou na palavra segura que tem sempre pra dar!
- Terei a mesma paciência do que ela? Terei a capacidade de suavizar o mundo da MC e dar-lhe a coragem que a minha mãe me deu?

Talvez a gravidez tenha vindo aprofundar estes pensamentos e dar-me a vontade de dizer Obrigada Mamã por todo o teu carinho!
Tenho-o como exemplo.
Feliz Dia da Mãe!
P.S. Deixo-vos um dos meus poemas preferidos:
Poema à Mãe, de Eugénio de Andrade
No mais fundo de ti
Eu sei que te traí, mãe.
Tudo porque já não sou
O menino adormecido
No fundo dos teus olhos.
Tudo porque ignoras
Que há leitos onde o frio não se demora
E noites rumorosas de águas matinais.
Por isso, às vezes, as palavras que te digo
São duras, mãe,
E o nosso amor é infeliz.
Tudo porque perdi as rosas brancas
Que apertava junto ao coração
No retrato da moldura.
Se soubesses como ainda amo as rosas,
Talvez não enchesses as horas de pesadelos.
Mas tu esqueceste muita coisa;
Esqueceste que as minhas pernas cresceram,
Que todo o meu corpo cresceu,
E até o meu coração
Ficou enorme, mãe!
Olha - queres ouvir-me? -
Às vezes ainda sou o menino
Que adormeceu nos teus olhos;
Ainda aperto contra o coração
Rosas tão brancas
Como as que tens na moldura;
Ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
No meio do laranjal...
Mas - tu sabes - a noite é enorme,
E todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
Dei às aves os meus olhos a beber.
Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo as rosas.
Boa noite. Eu vou com as aves.
Eu sei que te traí, mãe.
Tudo porque já não sou
O menino adormecido
No fundo dos teus olhos.
Tudo porque ignoras
Que há leitos onde o frio não se demora
E noites rumorosas de águas matinais.
Por isso, às vezes, as palavras que te digo
São duras, mãe,
E o nosso amor é infeliz.
Tudo porque perdi as rosas brancas
Que apertava junto ao coração
No retrato da moldura.
Se soubesses como ainda amo as rosas,
Talvez não enchesses as horas de pesadelos.
Mas tu esqueceste muita coisa;
Esqueceste que as minhas pernas cresceram,
Que todo o meu corpo cresceu,
E até o meu coração
Ficou enorme, mãe!
Olha - queres ouvir-me? -
Às vezes ainda sou o menino
Que adormeceu nos teus olhos;
Ainda aperto contra o coração
Rosas tão brancas
Como as que tens na moldura;
Ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
No meio do laranjal...
Mas - tu sabes - a noite é enorme,
E todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
Dei às aves os meus olhos a beber.
Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo as rosas.
Boa noite. Eu vou com as aves.
...
P.S 1 - Eu amarei sempre as rosas!


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