Nhakuda Buda

Nhakuda Buda
............................................................................................................."Porque tenho o coração cheio de amor para partilhar contigo"................................................................................................................................

segunda-feira, 9 de abril de 2018

A Páscoa com Crianças

Páscoa é sinónimo de união, fraternidade e convívio.
Pelo menos aqui no Minho é assim. A  Páscoa aqui tem sempre um cheirinho a primavera e transpira cor. Normalmente na semana da Páscoa as pessoas têm tendência a começar a arrumar as coisas pesadas do inverno. Há uma necessidade de fazer grande limpezas depois dos dias cinzento. É por esta altura, também que os dias ficam maiores e começamos a vestir cores mais alegres. Nesta época do ano as pessoas começam a sair mais e a Páscoa é a partida para esta fase. 

O domingo de Páscoa é uma loucura. No compasso pascal as pessoas andam de casa em casa atrás da cruz. São imensas pessoas conhecidas e desconhecidas que entram pela casa adentro com a intenção de fraternizar com os presentes. 
Pois bem, é no meio desta azáfama que as crianças aproveitam para expandirem um pouco mais nas suas brincadeiras, para experimentarem coisas novas como os doces ou mesmo para arriscarem em novas experiências. 

Por isso o cuidado nunca é demais e mesmo com todos os cuidados as coisas acontecem. E foi o que nos aconteceu!

Quase ao final do dia descobri que a mão da Clarinha estava um pouco vermelha. Na altura pensei que era por ter as mãos frias. Comecei a ficar atenta e depressa percebi que aqueles vermelhões começaram a aparecer na carinha. Depressa passou para as pernas. Depressa comecei a ficar muito preocupada. Os vermelhões alastravam muito rápido, tão rápido que quando chegamos a casa para a medicar, depois de contactarmos o pediatra, ela já se queixava: "mamã dói a pena". 
Primeira medicação não funcionou, os nervos aumentavam e o medo também. Tentamos uma segunda medicação. Ufa, a mesma rapidez que apareceu na mesma rapidez que desapareceu... pelo menos naquele dia! 

Porque os dias seguintes os vermelhões teimaram em aparecer e desaparecer.

Diagnóstico: Alergia. Não sei se alimentar ou de contacto. Alergia teima em desaparecer. Quando pensamos que já terminou, as manchinhas surgem de novo. Estranho que só apareciam nos braços, nas pernas e na carinha. 

Felizmente com a medicação ela não se queixava, e nunca deu febre. Felizmente! 
Felizmente não lhe tirou o sorriso. Felizmente

Por isso, festa e crianças todo o cuidado é pouco!

terça-feira, 27 de março de 2018

A Clarinha Ficou Doente

É comum os bebés ficarem doentes! Ficam muitas vezes e por os mais variados motivos! Eu sei disso, só não estou habituada!

A Clarinha não bolsou, não teve cólicas e mesmo tendo quase todos os dentinhos, sempre foi muito pacífico. Também já ficou constipadinha mas nada se assemelhou ao que vivenciamos!


Depois de um dia como qualquer outro regressamos a casa para recebermos uma visita especial: a princesinha M ia brincar com a Clarinha. Quando a visita chegou estranhei o comportamento da minha pequena, mas pensei ser ciúmes por estar a dar atenção a outro bebé. Chamava por mim a toda a hora e pedia-me colo constantemente. Consegui acalma-la com a Minnie durante o tempo de beber um chá com a mamã V. 


Já perto da hora do jantar, enquanto a pequena M. comia a sua papinha ofereci a sopa Clarinha. Não consegui dar-lhe a primeira colher porque fui atropelada por um de vomito, seguido de outro e mais outro! Por segundos questionei-me de onde saía tanto liquido e como ela conseguia ter tudo aqui armazenado no seu pequeno estômago! Depressa voltei à realidade e comecei a agir! Tirei a Clarinha dali, embora carrega-se em mim parte daquela destruição que mais parecia um cenário de pós tsunami! Com a calma possível disse a Clarinha que ia tomar banho enquanto ligava as torneira. De vez em quando o meu pensamento regressava aqueles segundos " o que aconteceu?!" "Porque é que ela está assim?!?!" "Onde errei?" 

Não sei se sou a única a achar que quando algo de mal lhe acontece a culpa é sempre minha! 
O papá chegou já com recomendações do pediatra e ela já estava pronta para entrar no banho! Choramingava! Talvez pela novidade aterradora que viveu! Depois do banho acalmou um pouco. O papá ficou a brincar com ela enquanto eu fui apagar os vestígios daquela cena!

As coisas ficaram mais calma, aceitou comer um pouco, muito menos do que o habitual, mas também não insistimos! 


Chegou a hora de dormir, tudo na mesma rotina. Lavar os dentes, brincar com o papá na cama e esperar a mamã chegar. Mamou e adormeceu mais rápido do que o habitual. 

Já mais calma conversei com o J. sobre o que se passou. Não sabia que aquilo era só o início.
Durante a noite veio a febre. Um febre que durou três dias. Que a consumiu e lhe retirou o sorriso. 
Sobre o efeito da medicação parecia a mesma bebé de sempre, mas mal a febre começava a aparecer os olhinhos ficavam cabisbaixos e o desanimo voltava. Muitos banhos de água morna, muita água, muita insistência para comer, muitas mudas de roupa! Repetiu tantas vezes a palavra mamã que até me assustava. Passou-me pela cabeça tanta coisa que nem é bom lembrar! 
- A mamã está aqui! Dizia ela vezes e vezes. 
Oh meu amor, se pudesse acredita que evitava a tua mais pequenita lágrima, que acolchoava as pareces do mundo, mandava colocar nuvens no chão e recolhia todos os males na caixinha da pandora! Só para não te ver sofrer! Será que não existe uma fórmula mágica para evitar o sofrimento nas crianças! 

Devia ser regra, criança não devia ficar doente. Não dá para fazer nenhum abaixo assinado?!!!

Eu assino na primeira linha. 

sexta-feira, 23 de março de 2018

As Birras

Começou a fase das birras! E com teatralidade ela lá vai fazendo as suas!
Não grita, não bate, não chora, às vezes! Faz cara de amuada e deita-se no chão! 
Mas não e um deitar do chão aborrecido, nem rápido ou qualquer coisa que mostre descontentamento! Deita-se no chão muito devagarinho e esconde a cara! Fica deitada sem chorar ou sem mostrar o motivo daquela ação! Se lhe pergunto o porquê, limita-se a fazer huuumm ou a sorrir! Se tento pegar nela, chora! Chora pouco, mas alto! Estica-se toda e chora! Se a ignoro, chama por mim! 
- Mã! 
- Sim filha, o que foi?! 
- Huuumm

É este o diálogo possível até pegar nela! 

Tento muitas vezes desviar o assunto sempre com infortúnio porque ela é mais teimosa do que eu! Calma e controlo de voz e respiração é o melhor nestas alturas!

O pediatra disse-me "se for para entrar na briga, vá até ao fim e não ceda, porque se ceder uma vez, ela ganha-lhe sempre!" Por isso, muitas vezes faço das tripas coração para ser persistente ou para não me desmanchar a rir perante algumas situações!
Um dia destes, fomos ao supermercado! 
Diz ela:
- Mã eu ajudo!
Digo eu:
- Ok filha, queres levar o carrinho (de mão)?
- Tim! Diz ela, enquanto pega no carrinho de mão e começa a caminhar. Eu lá vou colocando o que preciso dentro do carrinho. Quando começo a perceber que o carrinho já está a ficar pesado para ela digo-lhe:
- Filha, agora a mamã leva o carrinho porque está pesado!
- Naaa! E naquele momento carregava um pacote de tartelletes de milho na mão, pousou-as e deitou-se no chão! Com os braços esticados para cima e a carinha de lado!
Tentei pegar nela, mas transformou-se numa pequena tábua rija! 
Depois de tentar explicar-lhe, enquanto a levantava, e ela repetir comigo que o "Carinho tá pesado" ela volta a dizer-me "Cainha, ajuda"! Puxou pelo puxador do carrinho e lá foi ela em direção à caixa! 
Terminou assim a conversa!
Eu respirei fundo e segui-a! Um bebé de 20 meses a puxar um carrinho de supermercado cheio! Onde já se viu isto!

Que Feitiozinho!



segunda-feira, 19 de março de 2018

Dia do Pai

Começando a história desde o primeiro dia, 4 de julho de mil novecentos e 90 e vinte e seis, confesso que foi um dia confuso. Porquê? Porque pouco passava das 16h e éramos dois. E dali a pouco já estávamos três naquele quarto, enquanto a gaivotinha espreitava atentamente no vidro da janela para conhecer aquela pessoa.

Desde esse dia foi sempre a aprender, ensinando todos os dias alguma coisa à pequena MC.

Passados 20 meses, diferentes fases da vida da MC foram moldando as nossas vidas mas a que mais apreciei foi sem dúvida a partir do momento que a MC começou a conversar comigo, mesmo que muitas vezes eu não perceba o que ela me quer dizer, coisas do tipo:

- "Ah papá ceste não!" ADORO!

É bom acordar todos os dias e perceber que ela está cada vez mais "mulherzinha" que gosta de cor-de-ró, embora eu preferisse que ela vestisse verde tropa.

Não acredito que o sentimento de pai/mãe seja infinito quando o bebé nasce mas posso dizer que vai crescendo através da convivência e dos laços de cumplicidade que se criam diariamente.

"Podemos tentar falar a sério porque por vezes também é interessante, mas isso também está em nós. Não estando habilitado, podes estar, escolhendo um caminho e esse caminho eu respeito. Humm"

É difícil a vida de pai mas adoro a minha MC e já não faz sentido sair de casa sem por a pampa na cadeira...

segunda-feira, 12 de março de 2018

Conversar Com a Minha Bebé

Conversar com uma bebé de 20 meses é  maravilhoso e engraçado ao mesmo tempo. Primeiro porque ela compreende tudo e depois ouvi-la a falar faz com que solte sempre umas gargalhadas.

A Maria Clara tem tido uma vontade enorme em se expressar da forma mais correta por isso começou a fazer pequenas frases compreensíveis! Sim, porque quando resolve falar, falar, falar sem parar não consigo perceber quase nada! Quantas vezes dou por mim a dizer-lhe "pois é filha" sem perceber quase nada do que disse, mas outras vezes tento desenvolver mais um pouco para a compreender melhor. 

- A sério filha?! E que mais? ou - "ora conta lá isso de novo!" 


Certamente que com frases curtas torna-se mais fácil, para ela e para nós, mas a necessidade de conversar é cada vez maior por isso conversar com ela tornou-se um momento único, isto é, dou-lhe a atenção necessária e, muitas vezes, exclusiva. 

A forma que ela tem em aprender as palavras é a olhar para os nosso lábios, por isso muitas vezes repito-as para ela perceber melhor. Os livros, os puzzles ou os brinquedos ajudam imenso  neste desenvolvimento, mas é a conversar que aprende melhor. 

Ultimamente temos cantado juntas. É hilariante! Eu com a minha voz de "cana rachada" e ela com "meias palavras"! Que belo dueto! ah ah ah

Aos poucos as conversas são mais longas! 
Aos poucos apaixono-me mais! 
Aos poucos filha ou "aos pôcos mamã"!

quinta-feira, 8 de março de 2018

À Minha Pequena Mulher

Minha princesa, hoje celebra-se o dia internacional da mulher! Infelizmente! 
Este dia não é um dia de festa ou não devia de ser! É um dia de introspecção sobre a condição feminina! Certamente que quando conseguires ler este post a tua condição ainda será melhor do que foi a minha ou do que terá sido a da tua avó ou da visa!

Sabes, durante anos o papel da mulher resumiu-se à condição de dona de casa e mãe! Até aqui tudo bem porque é de senso comum que ser dona de casa ocupa mais de 40 horas semanais e ser mãe não tem horários. Mas a Mulher teve necessidade de dependência salarial e posteriormente a igualdade pelos direitos profissionais e ainda lutaram pela partilha das tarefas domesticas!
Imagina tu que há muitos anos era impensável o homem participava na criação de um filho ou imagina que não podias ficar em casa com o papá ou não teres a ajuda do papá na hora do banho! 

Pois é, felizmente as coisas mudaram imenso! Para o nosso bem! Para o teu bem...  Agora o papel da mulher e do homem assumem-se como o Papel da Família. Assim para além de imaginar que o teu futuro pode ser mais promissor, tenho a certeza que o papá assume muito bem este papel.

Por isso vamos ter esperança que este dia deixe de existir quando esquecermos mentalidade preconcebidas, quando olharmos para as tarefas domesticas ou profissionais de igual para igual em todas as circunstâncias. Quando isto acontecer este dia deixa de fazer sentido!

Quando celebrares este dia com festas entre amigas lembra-te que há necessidade de unirmos forças nesta luta.

Feliz dia Internacional da Mulher💗


quinta-feira, 1 de março de 2018

Às crianças da Síria

Hoje não dedico as palavras a minha bebé. 

Hoje dedico as minhas palavras a todos os bebes da Síria. Penso que o mundo não deveria ficar indiferente a tamanha crueldade. Aquilo que deveria ser poupado sobre qualquer valor ou interesse político tornou-se uma forma de ofensa ou ataque. A vida humana está a ser usada como estratégia de ataque ou simplesmente como formas de protesto.

As imagens que correm as redes sociais são cruéis demais e ficam longe da realidade. Pergunto- me onde andam os valores pela humanidade, onde prima a valorização da vida!

Esta luta pelo poder, pela religião, esta forma extremista de mostrar interesses fez e faz com que milhares de pessoas inocentes percam a vida ou fiquem marcadas para sempre. Destes pessoas refiro-me às crianças que apenas são reflexo do meio e do que lhe transmitem. Terão esta crianças que pagar pelos interesses dos adultos?! Serão elas merecedoras de tamanho infortúnio?! Será que os interesses políticos, religiosos ou regionais são tão mais importantes do que estas vidas?! 


Não consigo imaginar um cenário destes, não me consigo imaginar num cenário destes, mas acredito que a vida deve ser poupada sobre qualquer circunstância. Infelizmente os valores andam todos trocados. 

Ver ruas completamente destruídas, ver casas em cacos, restos de maternidades,  pessoas mortas ou vivos abraçados em clemência a pessoas mortas, pais a carregarem os filhos ao colo cobertos de sangue... enfim! Banalizam a vida por quezilas ou birras! Porra! isto é revoltante! Parem! Parem já! Aprendam a viver em paz!

Acredito que haverá paz quando todos quiserem a paz, por isso faço votos, faço fisgas apelo a todos os Deus ou deuses e aclamo ao coração dos seres humanos que façam isto terminar! 

Acredito que nenhuma criança pediu para nascer e muito menos para viver em tamanha desgraça. Acredito que as crianças têm direito à felicidade a poder brincar, sorrir e crescer com a certeza que vale apenas viver!

Vamos tornar o mundo melhor!
Por favor!